quinta-feira, 3 de maio de 2018


Quem de  nós não suplicaria pela espessura de um momento,
como se ainda estivesse intacto?  
Os mesmos tapetes ocres tramando os fios do tempo : o templo do Mistério que obtém a sua Água do  Orvalho ; o fino traço de sua face eternizando o instante; em preto e branco; um poema ressonante da origem ao fim da noite (...)  o sono!
Digo-vos , no entanto, que atravessemos em fuga os portões
do medo,  
pois o amor é  travessia
que  se repete no âmago de um desejo.
Inédito, circulante e índigo; até
- Quando a memória pause as nossas bocas

de cinema mudo  e o Presente  revele o  seu nome.

domingo, 15 de abril de 2018

Irina Vitalievna Karkabi
             

 Minha biografia é aparentemente sem drama. Por uma questão de privilégio me favoreceu um nome- não uma herança política, mas o deslumbre da palavra. A minha imaginação atenta nunca teve limites. Nem o meu apetite por possuí-la.

  Eu a vi pela primeira vez, vestida de verde, como se um detalhe bastasse para infinitas suposições : - uma militante ecológica; uma romântica buscando vertigem e esperança ; uma patriota revolucionária; prostituta decotada; inspiração afrodisíaca … Sei lá de quantos detalhes é composto um nome... (im) próprio.

 Sem notar a perda do controle entre mim e o inesperado ; entre a falta e o excesso- um tempo de ilusão e segredo; um mundo de metáforas gestando o fogo e o gelo da palavra ; singular e breve; a matéria-prima do amor não se repete assim , na madrugada de insônia de um poeta; talvez por isso, o meu corpo reverencie a dor e o pudor desmedido de uma promessa.


domingo, 21 de janeiro de 2018



E se eu pulsasse na cadência do seu corpo
- Cedro do Líbano!
Como um barco atravessando
as fontes ressonantes da Vida ...
Navegaria a brecha do rochedo,
afoito e rubro ao teto do mundo...
- Céu luminoso que se abre ao infinito.


Moradia do desejo intacto!

sábado, 23 de dezembro de 2017


Escrevo

para retornar à  jornada de um corpo
que preceda a palavra . Um campo
de silêncio doce como a transparência
do desejo.

Escrevo entre os vértices da folha
(a Sua falta)
Como um verso de veludo
d ‘ água  entre letras
(o Seu rastro prata) .


domingo, 26 de novembro de 2017





Sempre que descanso as pálpebras – observo para onde me aponta a existência ... se sou um fio transparente, um feixe de luz num multiverso ?  Um ponto num horizonte cósmico ? e no entanto escrevo: ousando ultrapassar o último instante. Sou também alguém que compartilha uma civilização de alto risco em ameaça evidente. Vivemos num tempo que se escorre pelos vãos e pelos olhos.