segunda-feira, 13 de janeiro de 2020


Hoje não fui ao samba .

Uma fadiga necessitada de esperança dominou o meu espírito afro
descendente. Num impulso de pausa, o silêncio de uma canção.

O repouso do medo para ouvir a convocação do destino:

Arder nas labaredas do fogo e morrer nas correntezas do sangue de um coração selvagem.

Lembrar o sentido de um nome para além da tempestade.  

Seguir o princípio da paz no vestígio de um pássaro,
uma ínfima nota de resistência ao ódio
 acolhida na sutileza do vento...

Tecer a música da vida até o fim do mundo.


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Nascera  no primeiro dia de primavera (como em  qualquer outro) - a sua primeira aurora foi um instante único. À partir do qual já estava  proscrita do útero de sua mãe.

No princípio, um artigo indefinido, um sujeito oculto- ousando revelar-se em uma página - denunciando o árido, o sórdido, o violento contido na poeira de uma pétala, como uma urdidura de infinitas tramas. Assim, lusco-fusco amanhecia. Considerou o dia propício para atravessar o silêncio e ouvir qualquer palha da palavra. Por muito tempo, o silêncio representou o medo e a vertigem de uma realidade tosca, onde o sentido é nebuloso e a  intimidade violada. Nesse intervalo de trevas, a palavra necessita emergir, participando como um testemunho vivo da resistência. Por isso, a coragem de sentir-se livre. Chorou, e choraria sempre, mediante a tragicomédia da existência. Mas o que, certamente, lhe causava espanto e náusea, era o descompasso, o desconforto entre a abundância e a escassez, o conhecimento e a ignorância, a ruptura e a aliança em valsa com a corrupção e a ganância – tema e razão de sua escrita.  Seria uma testemunha imperfeita das oposições, oprimida entre os extremos, perplexa entre a oportunidade de sobrevivência e dignidade e o destino selado de cada um , segundo a sua diferença ou semelhança de um Signo que o represente. Que o qualifique. E que finalmente o defina. Talvez, por isso, um nome por batismo não lhe parecesse suficiente, sabendo que seria difícil ocupar um lugar considerado legítimo naquele mundo. Talvez não houvesse em lugar algum. Ou mesmo não o quisesse. 

sábado, 2 de novembro de 2019

O Presente




Ele estava ali estatelado em seu sorriso límpido e luminoso de puro prazer em oferenda. Estavam todos ali lambendo-se de satisfação pela venda volumosa que era só lisonja.

Eu variando, inocente, sem saber de nada. Muito bem, senhora dona felizarda, este é todo seu (explosão) e eu também estarrecida como o sorriso branco. O tempo parou naquele momento expectante: -“Tenho que sorrir, tenho que explodir de emoção.” E nada. Irmã: - “Mas como você é fria! Não vai agradecer?” Fui caminhando, meio hesitante, porque já era uma Macabéa idiota naquele instante, ele quase sem perceber, porque ali havia um excesso de generosidade e sensibilidade a desejar!
Eu pensava: - “Vou ficar tão contente porque sei que ele me ama ele me ama ele me ama e quer provar... eu sei eu sei eu sei (explosão). Mas se eu aceitasse e ficasse feliz, completamente feliz, se eu revirasse de felicidade (era o que todos esperavam) , ele vai morrer ! Ele vai morrer e eu não vou poder explicar que aquilo tudo nada significa desde que ele não morra, eu não quero nem ficar feliz, mas que ele não morra, por favor, não me faça feliz... e ele sorria tão resplandecente que me ultrapassava. Ele transcendia a existência na graça da felicidade.
Quanto a mim, estava constrangida pelo excesso de louvor – o ombro pesou, a barriga doeu... o xixi ardeu .... Eu estava apavorada pela recompensa! Eu estava culpada! Mas eu sempre soube (disse saber novamente, foi? Como uma benção para os ignorantes aflitos!) Acho que eu ficava tão doente, desmaios, bronquites, renites só para ele me cuidar! Cuidava e sempre cuidou como pode... ele não se importa com o valor das coisas e eu farei a vida valer, afinal somos parecidos, dizem!
Eu estou me alegrando sem aborrecer-me pelo preço, aceitando aos poucos o presente e prosseguindo - porque a alegria: - “não é um luxo?”.(explosão ).

sábado, 24 de agosto de 2019


# AMAZÔNIA VIVA

A TODAS AS VOZES QUE SE REÚNEM -

NO BRASIL E NO MUNDO INTEIRO, TODOS OS QUE SE ERGUERAM  NO MESMO PROTESTO, NO MESMO GESTO DE INDIGNAÇÃO, NO  MESMO GRITO DESESPERADO DE SOCORRO, TODOS OS POETAS, ARTISTAS, CIENTISTAS, ATIVISTAS, HUMANISTAS,AMBIENTALISTAS, 

TODO CIDADÃO COMUM, DO BRASIL E DO MUNDO,  

CONSCIÊNTE  DA NECESSIDADE DA VIDA,  DA SOBREVIVÊNCIA COLETIVA  E LIVRE  DE TODOS OS SERES, DA NECESSIDADE URGENTE DE UNIÃO, RESPEITO MÚTUO, TOLERÂNCIA E CONVIVÊNCIA ENTRE  AS SOCIEDADES  HUMANAS- REUNIDAS  EM  LOUVOR  DA SOBREVIVÊNCIA   DO  PLANETA- ÚTERO DA EXISTÊNCIA.

QUE   SE MANTENHA  A  FIRME RESISTÊNCIA 

QUE  SEJA  CONTÍNUA E EFETIVA  ATÉ QUE  SE REALIZEM AS   VERDADEIRAS  AÇÕES  DE RECONSTRUÇÃO SOCIAL  E POLÍTICA  E  PROPOSTAS HONESTAS DE  TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.  
  
GRATIDÃO.

# AMAZÔNIA VIVA