Ele estava ali estatelado em seu sorriso límpido e luminoso de puro prazer em oferenda. Estavam todos ali lambendo-se de satisfação pela venda volumosa que era só lisonja.
Eu variando, inocente, sem saber de nada. Muito bem, senhora dona felizarda, este é todo seu (explosão) e eu também estarrecida como o sorriso branco. O tempo parou naquele momento expectante: -“Tenho que sorrir, tenho que explodir de emoção.” E nada. Irmã: - “Mas como você é fria! Não vai agradecer?” Fui caminhando, meio hesitante, porque já era uma Macabéa idiota naquele instante, ele quase sem perceber, porque ali havia um excesso de generosidade e sensibilidade a desejar!
Eu pensava: - “Vou ficar tão contente porque sei que ele me ama ele me ama ele me ama e quer provar... eu sei eu sei eu sei (explosão). Mas se eu aceitasse e ficasse feliz, completamente feliz, se eu revirasse de felicidade (era o que todos esperavam) , ele vai morrer ! Ele vai morrer e eu não vou poder explicar que aquilo tudo nada significa desde que ele não morra, eu não quero nem ficar feliz, mas que ele não morra, por favor, não me faça feliz... e ele sorria tão resplandecente que me ultrapassava. Ele transcendia a existência na graça da felicidade.
Quanto a mim, estava constrangida pelo excesso de louvor – o ombro pesou, a barriga doeu... o xixi ardeu .... Eu estava apavorada pela recompensa! Eu estava culpada! Mas eu sempre soube (disse saber novamente, foi? Como uma benção para os ignorantes aflitos!) Acho que eu ficava tão doente, desmaios, bronquites, renites só para ele me cuidar! Cuidava e sempre cuidou como pode... ele não se importa com o valor das coisas e eu farei a vida valer, afinal somos parecidos, dizem!
Eu estou me alegrando sem aborrecer-me pelo preço, aceitando aos poucos o presente e prosseguindo - porque a alegria: - “não é um luxo?”.(explosão ).