sábado, 26 de novembro de 2016

Flor do sal

Igor Goncharov



Puxar o fio da meada é como alongar
a vida numa extensa linha
desde a primeira fagulha da infância.
Acender contigo é como respirar
num instante branco.
Suspensa na ausência das horas 
Na expectativa afoita de adivinhar o sol em seu rosto.






Seguir os rastros que se alinham
em orações que se demoram.
Tecer um verso antigo no perfume
prematuro do orvalho.
Tocar os pontos do seu corpo
e descrever os vestígios da glória.
Supor-Te infinito agridoce.
Beber-te líquido
para compaixão de um nome.   
Do Poente ao breu da noite
Entregar-Te
ao silêncio da morte.


(Ab) sorver-Te gota a gota.

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