quinta-feira, 27 de julho de 2017

Cena II


Imagem: Andrey- Remnev

Havia um gesto oculto naquele olhar que me desafiava à dominação, sem notar quem se rendia. Fui cativado pelo olhar escuro da melancolia. Quanto tempo sobrevivi até que a morte esquecesse o seu nome? Nem me lembro. E agradeço esse milagre que ameniza a amargura. Fui amenizado na doçura da sua boca, na emancipação do calendário. Quando senti a sua falta pela primeira vez, compreendi que sempre a sentiria, como se o seu corpo fosse o rastro do vermelho e eu quisesse dominá-lo! Comecei a desejar mais do que antes me dispunha. Este é o primeiro paradoxo egoísta do amor e a sua primeira premissa. Aquele que muito deseja é consumido na tragicomédia em que ninguém atravessa ileso.




Nenhum comentário:

Postar um comentário